Ícones da imagem masculina

Tem a ver com postura ou algo intangível e individual como a presença. Porte, intenção e atitude são ações que imprimem admiração nos olhos do observador. A identificação de alguém reconhecido como ícone pode ser de difícil classificação, mas é de imediato reconhecimento. E do reconhecimento nasce a reprodução: figuras que influenciaram e ainda influenciam aquilo que se assume como masculinidade em toda sua multiplicidade.

Quando olhamos para o passado — e como historiador o que mais faço é olhar para o passado — é perceptível que o trajar masculino sofreu um decréscimo de cores e brocados, a grosso modo, quando deixou o eixo franco-mediterrâneo e foi para as bandas da Savile Row. No ocidente, a moda masculina perdeu a influência barroca e assumiu certa verve de introversão anglo-saxã.

No popular, a moda masculina é considerada mais entediante e limitada, mas como bem observa a historiadora da moda, Cally Blackman, aquilo que classicamente foi classificado como moda masculina teve influência preponderante à sua contra parte feminina durante o último século. Por incontáveis motivos as mulheres passaram a vestir calças, jaquetas, jeans.

Marlene Dietrich

O vestir masculino pode, a primeira vista, ser considerado menos entusiasmado que sua contra parte feminina. Só que o dinamismo da moda masculina se encontra em pequenas quebras de conduta ou reinterpretações de peças clássicas. Se por um lado no imaginário popular é usual achar que faltam opções e que moda masculina é muito limitada, por outro uma base sólida com muitas décadas de construção permite ao homem contemporâneo saber onde e como se aliar a tradição e qual a forma mais adequada para ousar conforme suas convicções pessoais.

Aqueles considerados ícones de imagem masculina, pelo menos em seu aspecto, evocam comedimento, sobriedade, mas também leveza e convicção. Pretendo decodificar ou, simplesmente revalorizar esses homens que um dia já foram a vanguarda da imagem masculina e agora se tornaram referências. Uma das várias formas de se ler uma pessoa é através de suas roupas: o que ela transmite ou omite? Como os estilos adotados refletem e transpiram os tempos de quem veste? Todos essas questões se mostram ainda mais chamativas nas trajetórias de figuras icônicas. Preferencialmente, vamos olhar para um momento em que a vestimenta tinha um significado genuíno para essas figuras, quando era uma escolha individual, sem passar pelo batalhão de assessores que atualmente escolhem e mapeiam todos os passos das figuras celebradas no intuito puramente mercadológico sem refletir qualquer essência.

Nessa série irei me debruçar sob senhores distintos que marcaram época, verdadeiros apolos da tela prateada, dos palcos, das tintas do que seja. Quais potencialidades essas figuras transmitem e encorajam? Como suas vestimentas refletiam suas personalidades, suas circunstâncias, seus anseios? O que suas roupas dizem ainda hoje? Os links para essa série estão abaixo.