Michael B. Jordan: a classe do estilo esportivo

Dá pra usar gravata num conjunto informal vai ficar marcante

Michael Bakari Jordan, rapaz de 32 anos, nascido na Califórnia tem se mostrado uma das figuras mais interessantes na produções atuais de Hollywood. Trabalha atuando desde a infância e vem mostrando carisma e intensidade única em seus trabalhos.

Visual sóbrio porém marcante com a presença de toques dourados em meio ao preto

Não fosse isso tudo motivo suficiente, o cara tem nome de lenda do basquete, mora com seus pais, curte uns animes e quadrinhose seu filme preferido é Cartas na Mesa (extremo bom gosto).


O que ele veste

Esse cara é um exemplo de como se vestir nos dias de hoje, mistura elegância clássica com elementos de alguma ousadia. Claro, não podemos dizer que seja um cara que se vista bem sem esforço, mas encara bem o espírito do nosso tempo com seus assessores de imagem e peças escolhidas para editoriais.

Para conhecer um pouco mais dos gostos do rapaz

Vemos, obviamente, a presença de peças esportivas em vários elementos de suas vestes. Isso é apropriado de se apontar dado que essas peças tomaram lugar de destaque no vestuário masculino nos últimos anos com a influência de várias figuras fortes do mundo do rap e dos esportes nas altas rodas. A esperteza da moda de rua vai ganhando nobreza e sendo cada vez mais aceita nos códigos do bem vestir.

Um exemplo de como colocar cor num visual muito sóbrio

Parte fundamental de seu estilo pessoal é a atenção que ele tem com sua aparência: cabelo sempre cortado, barba ou bigode desenhado o que transparece um aspecto de limpeza e saúde constante, parte fundamental de uma apresentação destacada.

Como inspiração, para você que veste sempre as mesmas cores uma boa inspiração de seu estilo é buscar um elemento em seu visual para quebrar a monotonia: um acessório, um sweater, um tênis. Jordan não tem vergonha de exibir acessórios que, mesmo discretos, fazem toda diferença: um chapéus, uma correntinha, uma gravata e um bonito relógio.

Busque peças que tenham um bom ajuste no seu corpo e bom tecidos, isso vai valorizar e fortalecer sua figura.


Para Assistir

Mostrando que o segredo está no caimento bem ajustado em seu corpo

Obviamente, esse ator terá grandes obras futuras no currículo, mas por hora assista: The Wire (sempre assista The Wire, a melhor série de todos os tempos); os dois filmes da série Creed são ótimos também e, claro, um ótimo filme de seres poderosos que ele fez é Poder Sem Limites.

Um cara de estilo tem de ter habilidades

O que aprendi lendo guias de estilo

Tenho estudado consultoria de moda e gostado muito. Após alguns anos trabalhando com alfaiataria e aconselhando meus clientes de camisaria como poderiam combinar sua nova camisa sob medida e em qual ocasião, percebi que fazia esse aconselhamento de forma instintiva e pouco embasada. Assim, decidi me matricular num curso de Consultoria de Imagem Pessoal, tinha conhecido algumas profissionais da área e senti uma admiração real pela profissão, principalmente pelo contato direto com o cliente, com a possibilidade de realizar algo que impactasse sua vida ou a forma como ele se percebe sua autoimagem. A grande beleza da analise e composição de estilo é a montagem do quebra cabeça que é cada personalidade: o que move, o que admira, o que pensa sobre si, o que quer parecer. Estar nesse processo com cada individuo é algo no mínimo encantador.

Para tanto, me debrucei em toda bibliografia que encontrei pela frente, assisti horas e horas de vídeos no youtube, segui todos os profissionais da área que pude encontrar e acompanhei seu trabalho assiduamente. Repertório se forma com tempo e com interesse. Aqui estou na eminência de me lançar numa nova empreitada com todas as apreensões e motivações de quem se apaixona por um fazer. Mas para além disso essas leituras aguçaram algumas constatações que vou compartilhar aqui e um dia pretendo destrinchar com mais detalhes.

O que aprendi de mais interessante, por mais óbvio que parecesse, é que se vestir com estilo é um ato de intenção. Pode-se pensar que os ditos ícones da moda masculina tenham algum dom mutante que os façam uma máquina de combinações acertadas, só que isso se deu no exercício de fazer ou você acha mesmo que o Steve McQueen era o rei do cool acordava daquele jeitão. Vestir-se bem tem várias interpretações, mas quase sempre nós sabemos reconhecer quem o faz.

Não posso deixar de pensar na concepção histórica desses manuais, isso me move pessoalmente pois minha primeira formação é como historiador, profissão que exerci por 12 anos. Aqui vão algumas notas que envolvem história da moda e história do estilo:


Os ingleses inventam, os italianos melhoram

A influência inglesa em todo armário masculino do XIX em diante é impressionante, mas os melhores aperfeiçoamentos foram dos italianos. Isso se deu com as inovações que foram gestadas principalmente na Savile Row (rua de moda predominantemente masculina em Londres,talvez o endereço mais importante da alfaiataria) onde eram usados materiais e modelagem originários da ilha da rainha, isso desde o século XVIII, basicamente. Os ingleses mais abastados iam passar seu veraneio na enseadas italiana, nesse intercâmbios os alfaiates italianos foram adaptando com tecido que vinham da Ásia e Africa, tirando algumas camadas de tecido e fazendo peças mais sequinhas e mais próprios a um clima mais quente. As casas de alfaiataria italiana também se mostraram extremamente influente. As canelas de fora dos rapazes que vemos atualmente por ai, culpa dos italianos.


Dos quartéis para as ruas

Quando se para pra pensar nas origens históricas da grande maioria das peças do vestuário masculino que usamos até hoje entendemos que elas tem origem militar, das gravatas às calças chino. Isso se refletiu também na própria padronização, é só olhar para os rapazes saindo para trabalhar com o mesmo tipo de traje: costume basicamente. E, como podemos imaginar, nos quartéis não havia qualquer possibilidade para experimentações. Isso tudo impactou o cotidiano dos homens, tal processo foi quebrado basicamente na geração anos 60 que abriu um caminho para liberdade no vestir. Essa rigidez militar acabou por emoldurar a forma como os rapazes se relacionam com o vestir: ou seguindo absolutamente a fórmulas estabelecidas ou tratando com desdém essas fórmulas se alienando de algo tão interessante e parte da expressão individual que é o vestir. É um embate do mundo atual: a estabilidade dos códigos militares antigos contra um mundo atual fluido. As últimas década viram a entrada da moda esportiva de maneira definitiva nos códigos da bos vestimenta masculina.

Já me estendi bastante, vou fazer uma segunda sobre esse manuais de moda masculina num próximo texto. Continuo me apaixonando e me aprofundando no assunto.

Paul Banks: a moda masculina no começo do século XXI


Nos idos da já longinquá primeira década do século XXI fui atropelado à primeira audição do som melancólico da banda novaiorquina, Interpol. Era um som que sintetizava tudo aquilo que eu sentia, tive a necessidade real de conhecer quem estava por trás daquelas canções que me aconselhavam a acender as luzes brilhantes. Me deparei com a foto da banda numa revistinha da extinta gravadora Trama e, boom: era assim que eu queria me vestir.

Ao centro Banks, na esquerda Kessler, na direita Fogarino

Banks representava tudo que eu admirava na moda: a severidade de quem domina o cenário urbano, linhas simples, bem escolhidas com cortes precisos. E na inocência do jovem que quer se colocar nos ombros dos gigantes tomei o cara como um norte a se seguir no quesito estilo, se eu me vestisse como ele tudo estaria certo.

Assim como o som da banda adquiriu novas nuances com o passar dos anos, o estilo de Banks também sofreu mudanças: mais cores e estampas conforme ia se apartando do concreto e se aproximando da costa. Aliando sobriedade com toques de verão.


Inspiração: como colocar um pouco mais de severidade no seu visual

Pode investir em poucas cores escuras, acessórios discretos, jaquetas sobrepondo camisas de poá. Por vezes, para acentuar a força do visual é só quebrar com uma camisa mais clara, ou um sapato caramelo ou ainda aquela meia mais divertida que tá tudo certo.


Para ouvir

Leituras: História Social da Moda

“A metamorfose das roupas, mais do que um fazer, é um modo de estar no mundo, de se relacionar com a realidade” Daniela Calanca.

Uma leitura que mudou meu modo de ver a História

Em vidas pregressas, quando tive a História por profissão principal, aprendi e internalizei que nenhum assunto poderia ser preterido na analise histórica; nenhum fazer humano seria menor, tudo que fizemos e deixamos de rastro material seria digno de analise. Ainda sim, campos de atuação como a Moda sempre ficaram de lado e encarados com menor relevância do que fenômenos como economia ou a guerra ou a religião. Assim, por que eu deveria me preocupar com os costumes de vestimenta na História ou mesmo por que gastar tempo me importando em como me vestir. Mas o mundo da muitas volta, não é mesmo?

O fino do vestuário no século XVIII

Com o tempo enxerguei a obviedade de que a moda é uma forma de comunicação— quem me abriu os olhos foram meus heróis da música como Bowie — e, mais até, como uma meio de externar, na melhor das hipóteses, beleza. E isso acabou virando minha profissão, vestir pessoas: realizar suas ideias e ver a satisfação nos olhos do cliente. Eis que nesse ano chegou às minhas mãos o livro “História Social da Moda” da Daniela Calanca. Ainda não estava de todo livre de desconfianças. Seria possível que a obra fosse historiografia gabaritada e em poucas páginas Calanca convence ao calcar sua analise no saber de historiadores clássicos. O estudo de Calanca me surpreendeu completamente: a autora nos guia por uma caminhada de quase oito séculos revelando como a Moda é um proceder humano de costumes compartilhados que duram certo período e, eventualmente, podem retornar em intensões variadas. A moda perpassa a culinária, comportamentos de relacionamento, arquitetura, música. O vestuário assumiu o termo com mais enfase, tomou-o para si e usou como ativo.

A feitura do vestuário pré-revolução industrial

Nada é mais revigorante do que um autor te levar à questionamentos ainda inéditos em seu horizonte. Um desses foi quando Calanca chamou a atenção em como o ato de vestir transforma o corpo e se torna uma linguagem que adquire e acrescenta novos acentos com o passar do tempo. Outra questão levantada é como a história da moda se liga a história do consumo e como essa simbiose só se deu com o acumulo e criação de prosperidade proporcionada pelos meios de produção da era moderna.

A sobriedade do século XIX

Na forma ainda tenho algumas restrições ao livro, principalmente nos capítulos finais: de certa maneira ela desvia do objeto principal de análise dando muito espaço a temas periféricos e, na minha opinião, o fechamento é abrupto, como se autora ainda tivesse mais a dizer. Dito isso, esse livro merece ser mais discutido, tentarei desenvolver mais em outras oportunidades, por enquanto fica uma primeira impressão pós-leitura. Sem dúvida a leitura nos muda e nos molda, e poucas coisas são mais afetuosas que recomendar uma boa leitura a alguém. Fica aqui minha recomendação máxima.

Jeff Goldblum: a arte de ter estilo


Meu animal espiritual
Como um vinho premiado melhorando com os anos

Calma, cara! Assista esse vídeo que relaxa.

Jornada: as várias facetas de um homem com estilo

O advento Jeffrey Lynn Goldblum se deu em 1952 no estado da Pensilvânia nos Estados Unidos. Filho de um médico judeu e de uma radialista. Quanto atingiu a maioridade se muda para Nova York e se faz nos palcos da broadway antes de atingir as telonas.

Nem os anos 80 puderam parar essas força da natureza do estilo

Começou a carreira nas telonas como delinquente que teve de se ver com o cano da arma de Charles Bronson. Foi uma mosca, enfrentou um tiranossauro rex com apenas um sinalizador, venceu a maior invasão alienígena dos anos 90 com ciência, um antagonista digno no melhor filme do deus do trovão. Voz da Apple, professor de interpretação, pianista de jazz, estrela na calçada da fama e um dos melhores entrevistados em talks shows de toda história.

Sempre que possível, Michelle Pfeiffer! A dupla que estrelou Um Romance Muito Perigoso de 1985. Se liga na fivelona do moço.

O que ele veste

Olha o sapato bicolor e o suéter estampado dando charme no visual.

O que diferencia o visual de Goldblum — para além da “liberdade criativa”, utilizando estampas fulgurantes, sapatos bicolores e etc — é o caimento impecável de suas roupas. Um dos pontos mais relevados pelos rapazes na hora de gastar seu suado dinheiro em roupas e comprar no impulso peças que não abraçam seu corpo dando uma silhueta legal. Vale a pena se debruçar nesse quesito na hora de comprar: invista no sob medida e experimente até ter certeza.

Um visual simples e afiado: camisa pólo, calça de alfaiataria ajustada e sapato preto. Não tem erro.

Inspiração: como colocar vida no seu armário

Sir Goldblum demonstra uma alegria ao vestir, o cálculo da escolha de suas peças mostra seu interesse entusiasmados e genuíno pela moda. Diferente de outras figuras que perfilamos até aqui esta é uma pessoa com estilo projetado sem demonstrar dissimulação. Um cara que estuda moda e quer demonstrar alegria de viver agora que entrou na terceira idade.

Relaxado com a patroa. A camisa se destaca completamente, invista em peças quem se destaquem e, ao mesmo tempo, destaquem todo o visual. Um camisa estampada em meio a peças de mesma cor é um exemplo.

A grande inspiração que ele nos lega é a liberdade de experimentar. Um estilo pessoal que convida quem o vê a também tentar, se aventurar por texturas, estampas, acessórios. Invista em peças certeiras como: jaqueta de couro e bomber com camisas estampadas, ternos bem cortados, sapatos de boa qualidade e quem sabe, acessórios pontuais como um relógio bacana e um ou outro anel.


Para assistir

Tudo, quando esse cara aparecer assista, mesmo que o filme for ruim pode ter convicção que a culpa nunca será do Jeff.


Miles Davis: mestre do jazz e do estilo


Terno e fechamento duplo, sem exagero, bolsos arredondados dão mais leveza a peça.
Vai curtindo esse som junto com a leitura.

Jornada: a precisão de quem improvisalição para quem quer se vestir bem sem esforço

No ano do Nosso Senhor de 1926, nasceu em Alton Illinois Miles Dewey Davis III. De família próspera que logo investiu na educação do pequeno: o trompete, instrumento de escolha, foi lapidado na prática com muitas palmadas pelo trompetista Elwood Buchanan que iria determinar a atitude de Miles Davis tanto em seu estilo musical quanto na sua apropriação de sua própria vida.

Fazendo musica celestial com uma malha clássica de gola rolê, calça social e um tradicional mocassim

Foi para Nova York e desistiu da prestigiosa Escola Julliard para se enfiar nos palcos da noite e aprender jazz no núcleo do bbop entrando na banda de Charlie Parker. Formou sua trupe; faz suas próprias gravações; vira o pai do cool jazz; fez trilha sonora de filme francês e grava o disco de jazz mais bem sucedido da História. Tem muito mais coisas, mas fica para uma próxima.

Um dos maiores artistas do século XX, ponto. A figura de Miles Davis me afeta particularmente, vejo Miles como a representação mais interessante do Jazz. Um figura estoica e completamente consciente do que fazia, sem abrir mão do que acreditava e capaz de compor música tecnicamente simples — comparadas a outros luminares do jazz — mas com afetando seu ouvinte da maneira mais complexa possível. Seu vestir, em todas suas “fases”, refletia todas essas características.

Relaxadão, camisa de malha sem gola com caimento ótimo para seu corpo.

O que ele veste

Para ele, tanto sua música quanto a a forma que levava a vida, era tudo questão de estilo.

É tanta precisão nessa roupa que só pode ser superada pela música do cara: colarinho arredondado, paletó xadrez pied-de-poule com lapelas estreitas, gravata mais fininha e acessório na medida.

O estilo de vestir de Miles tem várias fases, assim como sua música, desse modo vamos olhar para as vestes que ele usou dos anos 40 até o fim dos anos 60. O armário de Miles do período desse período é eminentemente urbano, está refletido em sua roupa a vida noturna, a cena musical das grandes metrópoles.

Seu estilo nessa fase era inegavelmente clássico, mas com momentos de ousadia que combinavam em tudo com sua atitude. Davis era um homem de palavras raras e quando se posicionava era assertivo, podemos dizer o mesmo de seu armário: uma base sólida de peças clássicas (peças de alfaiataria) coroados com detalhes afiados, acessórios pontuais distinguindo-o completamente de quem estava a seu redor.


Inspiração: precisão das notas e dos caimento

Miles Davis nos encoraja a assumir a concretude da alfaiataria clássica de camisas bem cortadas, ternos sob medida, malhas, calças caqui elegantes. Tudo isso emoldurando acessórios simples, mas marcantes: um belo lenço no bolso, um relógio de pulseira fina. Vale a pena investir em cores que lembrem essa concretude, a metrópole, a noite, cinzas em vários tons e marrons mais escuros.

Dá para usar acessório na boa, se você nunca tentou um lenço no pescoço fica bem legal.

O estilo de Miles sofreu várias transformações, assumiu várias influências e ousou cada vez mais. Em outras oportunidades vamos olhar para esses momentos, mas no momento ficamos com o olhar nesse momento de sua carreira que o catapultou ao mundo.


Para ouvir

O disco Kind of Blue é para ouvir completo a cada bimestre, pelo menos.

Tom Jobim: como se vestia o garoto de Ipanema


Cardigan e camisa branca é uma combinação certeira para apostar na leveza
Gravata legal de algodão ou seda, costume na medida e camisa branca: passaporte para elegância

Jornada: a bossa carioca, leveza e simplicidade

Um dos maiores construtores da chamada brasilidade, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, tijucano porém cria de Ipanema Jobim se relacionou e mesclou romantismo, piano, tristeza, Villa-Lobos e Debussy para criar os sons mais reconhecidos no mundo dessa terra brasilis.

Na praia com um belíssimo sapato oxford, poucos conseguem.

Quase foi arquiteto, mas as teclas do piano e o beco das garrafas eram, obviamente mais atrativos. Daí para os pianos-bar da vida, chegando a ser arranjador de gravadoras até encontrar Vinicius de Morais e sacramentar uma das maiores parcerias artísticas da nossa cultura.

Tom Jobim levou suas criações para o mundo por toda sua vida e se tornou uma das figuras mais reconhecidas de nosso país. Firmou parcerias musicais com gênios da raça: de Frank Sinatra a Elis Regina. Um dos poucos que podem se gabar de ter dado forma a um ritmo e compositor da segunda música mais executada do planeta. Reconhecido pelas massas sem abrir mão da complexidade de sua arte.

É isso: suéter leve, calça social, um tênis slip on escuro, cachaçinha, revista de mulher pelada, jazz e Vinícius de Moraes. Não falta nada.

O que ele veste

É possível comprovar a combinação de suavidade e complexidade da música de Tom em seu vestir. Seu estilo remete a morar próximo ao mar, a beleza do fim da tarde. Sua escolha de peças refletem um período de muito charme, um passado de ouro, um Rio de Janeiro que se foi, um Brasil alcançando o futuro.

Quem tem amigos tem tudo. Tom e Sinatra.

Tom Jobim foi um homem extremamente consciente em seu estilo pessoal. Vestia black-tie para uma apresentação em grandes casas de show com a mesma desenvoltura e elegância com que deixava relaxado os primeiros botões da camisa aberta em frente a seu piano com um copinho de whisky à mão.

Um visual clássico sem ser severo, buscando leveza em peças como camisas, calças sociais, suéters e blazers em cores pastel e claras nas partes de cima e calças, meias e calçados mais escuros.


Inspiração: a sofisticação está no autodomínio

Sou defensor da camisa de manga curta, ai está um exemplo de se estar bem vestido com a peça.

Tom nos inspira a vestir de foma mais inteligente e adequada, com tecidos leves como o linho e o algodão que tem um caimento fluido, tecidos muito adequados ao nosso clima. Calças de alfaiataria e cardigans para estações próximas ao frio.

Nos pés sapatos clássicos com o oxford ou derby quando usar calças e no clima mais quente a pedida são as alpargatas ou tênis slip on.


Para ouvir

Tudo, mas pode ficar com o Stone Flower – um de seus discos com maior influência jazzista – que já é um bom começo.

Desconheço capa de disco mais cool que essa.

Paul Newman: o estilo clássico dos Estados Unidos


Além de tudo prendado
Não dá para ficar indiferente a essa trilha sonora e ao olhar acinzentado de Paul Newman

Jornada: a realeza do estilo working class

Uma camisa branca oxford clássica com colarinho americano (com botões que prendem as pontas da gola na própria camisa).

De origem judaica com pais emigrados da Hungria e Polônia, Paul Leonard Newman sacramentou-se como uma das figuras mais icônicas do cinema estadunidense e um dos atores mais reconhecidos da sua geração. Envolvido com artes cênicas desde a juventude, chegou a servir a marinha durante a II Guerra Mundial, mas acabou dispensado devido ao daltonismo. Da batalha para a Broadway e finalmente em pequenas pontas em seriados scifi na televisão. O começo de sua trajetória muito consistente em Hollywood não se deu de maneira meteórica, disputava papéis com James Dean e seus primeiros filmes não foram sucessos até dividir a cena com Elizabeth Taylor no clássico Gata em Teto de Zinco Quente. Daí para ganhar todos os prêmios e ter reconhecimento universal até seus últimos dias foi questão de tempo.

Paul Newman foi muitos: ator, velocista, filantropo, empresário, ativista.

E tem gingado: dançando com sua esposa Joanne Woodward

O que ele veste

Como um cara de múltiplos interesses e talentos é notório que Newman tinha um estilo que acompanhava suas atividades: de um smoking para um evento formal indo até macacões esportivos para suas participações nos grids.

Um velocista.

Ele conseguia imprimir estilo sem depreender grande esforço. Casualidade, tecidos leves e cortes mais soltos proporcionando esportividade imprimiam em Newman um visual Califórnia-chic.

Usualmente vemos Newman com aparência clean condizente com as décadas de 50 e 60: barba feita e cabelo cortado; no entanto, ele se deixava experimentar com liberdade assumindo suas vontades relativas à própria aparência deixando barba, bigode e a cabeleira livre.


Inspiração: como colocar a Hollywood clássica no seu vestir

O armário de Paul Newman nos incentiva a abusar das camisas claras para todas ocasiões; para estações frias investir em sweaters leves em golas v e cardigãs mais encorpados com cores mais escuras. Pode escolher sem medo camisas com colarinho americano (aquele com botões nas pontas), colocar camisa para dentro da calça um tanto desleixadamente e uma boina ocasional que vai te destacar.

Segura essa trinca: Louis Armstrong, Paul Newman e Duke Ellington. Newman usando uma camisa pólo de manga comprida e um acessório símbolo da era do Jazz, a boina.

Nos pés vai de mocassim e dockside com uma meia da cor do sapato quando quiser discrição ou aquela meia mais colorida e com motivos divertidos em ocasiões mais informais.


Para assistir

Paul Newman e Clint Eastwood. Que dupla! Que década! Tá ai a prova que dá para colocar meia branca e sapato e ficar o cara mais estiloso do condado, sem falar no macacão.

Vai aqui três recomendações de um cinéfilo para você se encontrar com o senhor Newman e ver em ação essa lenda do cinema

A Cor do Dinheiro (1986) Dir. Martin Scorsese

Butch Cassidy e Sundace Kid (1969) Dir. George Roy Hill

Paris Vive à Noite (1961) Dir. Martin Ritt

Beau Brummell: o pioneiro do estilo


O dândi original: George Bryan Brummell (1778 -1840)

O fato de nos vestirmos de certa maneira em detrimento de outras, ou o fato de considerarmos certas combinações de peças e cores como sinônimo de elegância e potência, tudo isso tem fundamento na História e reverbera até nossos dias.

Aquilo que entendemos como estilo masculino tem alguns pais fundadores, figuras que exerceram de tal modo sua criatividade no hábito do vestir que as consequências de suas criações são vistas até hoje nos armários dos rapazes em todo o globo.

Hoje nossa missão é conhecer um desses grandes mestres do estilo, o homem que inventou o dandismo e inventou o vestir do homem moderno: Beau Brummel.


Jornada: o estilo inglês que influenciou o mundo

Quando o menos virou mais na moda masculina

Nascido em 1778 em Londres, filho de um político sem grande proeminência. Os Brummell eram uma família de classe média, mas o patriarca tinha pretensões aristocráticas para seu filho mais velho e o garoto cresceu sabendo disso. Beau, estudou em bons colégios até chegar na faculdade de Oxford e por essa época já começou a marcar as rodas que frequentava com seu estilo. Fez uma curta carreira militar, chegou a tenente, e no regimento seu magnetismo atraiu o príncipe de gales e futuro rei inglês George IV.

Após a morte de seu pai, com a herança em mãos Beau Brummell se retirou da vida militar e partiu para influenciar as altas rodas da capital inglesa. Levou uma vida de luxo que não cabia em seu bolso fazendo roupas nos melhores ateliês da Savile Row, apostando em jogos de azar e com prostitutas. Foi amigo de Lorde Byron e influenciou todo o modo de se vestir dos homens ao criar o estilo Dândi. Foi um pioneiro, inclusive, ao se tornar o primeiro consultor de estilo ao cuidar do vestir do futuro rei, ensinando-lhe, inclusive, como se vestir com independência, escolher cores e caimentos.


O Homem que formou os homens

Brummell “influenciando”

Mas, afinal, qual foi a influência real que Brummell teve no nosso vestir? Para responder essa pergunta temos de entender que ele, de forma natural e não programada, deslocou o eixo de influencia ocidental da produção e da forma de se vestir dos homens de Paris e o trouxe para Londres e isso teve várias implicações. Dentre elas a moda inglesa era mais “discreta” que a francesa e esse modelo, menos pavoneado, é até hoje sinônimo de elegância para os homens.

Brummell tirou todos os excessos do barroco das roupas masculinas: foi-se a maquiagem e pintas artificiais no rosto; não há mais lugar para as grandes perucas brancas que fizeram as cabeças dos homens influentes por várias décadas; as roupas ficaram mais ajustadas ao corpo; escolheu cores mais sóbrias; implementou o grooming: cuidar da beleza e saúde masculina diariamente (fazer a barba, tomar banho, ter pele e roupas limpas sob o corpo) era o pressuposto de ser um cavalheiro.

Virar estátua por se vestir bem não é pra qualquer um

Assim, a próxima vez que você vestir ou achar alguém bem vestido por usar o combo clássico de três peças (calça, camisa e paletó), saiba que esse cara tornou essa combinação o sinônimo de roupa masculina. Ou mesmo, quando você pensar na profissão de influencer saiba que isso já era praxe ao menos há três séculos. A moda é só mais um dos fazeres humanos que carrega o peso de seu passado.

Alain Delon: o estilo francês sem afetação


Novamente a certeira oposição entre claros e escuros nas diferentes peças e o uso de acessórios simples construindo um visual certeiro
Aquele pot-pourri que exala estilo para aguçar os sentidos

Jornada: herói do estilo simples

Tá pra nascer um ser que fique melhor com óculos escuros

Por muitos considerado como o James Dean da França, Alain Fabien Maurice Marcel Delon,nascido em 1935 num subúrbio de Paris, fruto de um lar desestruturado, não era de se estranhar quando virou garoto problema, de expulsão em expulsão foi parar na marinha francesa chegando a servir na guerra da Indochina. Dispensado com desonras das casernas, pulou de subemprego em subemprego. Sem nada a perder, por influencia da amigas atriz Brigitte Auber, se enfiou nas festividades de Cannes e, com aquele sorriso de canto que a vida dá para poucos, despontou sua prolífica carreira no cinema participando de clássicos, trabalhando com os melhores diretores de sua época e roubando todos os olhares em cada fotograma que aparecesse. Um cara com uma ficha corrida invejável: um leopardo; um samurai; Zorro, Tom Ripley, até capa de disco do The Smiths.

Ao lado de sua mulher, Nathalie Delon, Alain ostentando casaco de marinheiro e a polêmica sunga branca, aqui muito bem aplicada.

O que ele veste

Sua constituição magra e alta, barba feita e cabelo bem cortado foram características que formataram a imagem masculinas nos anos 60. Insolência, sofisticação preguiçosa, carregando aquela tristeza bretã no olhar. Alain Delon talvez seja o pináculo da expressão je ne sais quoi. O não sei o que de Delon estava não só na sua atuação profissional, mas na forma que ele traduzia seu estilo, utilizando-se da tradicional moda inglesa adicionando ousadias pontuais no vestir que eram um modelo ao homem da sua época que queria ousar sem ser extremado. Apoiando-se e utilizando peças de roupa clássicas de alfaiataria o ator inspira, sem dúvida, uma potência de viver e agir, ganhar o mundo sendo você mesmo.


Base clássica/tradicional resignificada com identidade própria

Inspiração: como incorporar o sul da França no seu guarda roupa

Para quem quer refrescar o estilo pessoal, a figura de Delon nos encoraja a usar mais peças com inspiração costeira como casaco de marinheiro, camiseta bretão, óculos escuros, sapato driver. Poucos seres humanos foram capazes de portar óculos de sol e uma camisa aberta como fazia Delon. Solte aquela Riviera francesa que habita o seu ser e tem tanto receio de se libertar.

Camisa escura contrastando com os botões claros e a calça clara também. Para além do cigarro atente para o anel e o óculos escuro.

Acessórios e contrastes

O uso pontual e certeiro de acessórios é exemplar: relógios com pulseira simples e escuras, anéis discretos, uma eventual pulseira. O uso contrastante de cores escuras e claras, alternando-as entre peças de cima e de baixo também é uma bom exemplo de como quebrar a monotonia do visual de maneira simples, sem afetação e com uma elegância clássica.


Nouvelle Vague

Muitos dirão que em se sendo Delon fica fácil. Mas, quem sabe, só de se apoiar no visual desse cara já seja um bom começo, uma nova onda na sua vida. Invista em peças clássicas, bem costuradas e feitas para você.

Camisa xadrez, jaqueta de couro, jeans e sapato marrom café: visual certeiro e atemporal

E como toque final, deixar abertos aqueles dois primeiros botões da camisa, num país quente como o nosso, vem bem a calhar.


Para Assistir

Vai aqui três recomendações de um cinéfilo para você se encontrar com o senhor Delon e conferir de perto todo o impacto desse ator símbolo de uma era:

O Samurai (1967) Dir. Jean-Pierre Melville

A Piscina (1969) Dir. Jacques Deray

A Marca do Zorro (1975) Dir. Duccio Tessari