Leituras: História Social da Moda

“A metamorfose das roupas, mais do que um fazer, é um modo de estar no mundo, de se relacionar com a realidade” Daniela Calanca.

Uma leitura que mudou meu modo de ver a História

Em vidas pregressas, quando tive a História por profissão principal, aprendi e internalizei que nenhum assunto poderia ser preterido na analise histórica; nenhum fazer humano seria menor, tudo que fizemos e deixamos de rastro material seria digno de analise. Ainda sim, campos de atuação como a Moda sempre ficaram de lado e encarados com menor relevância do que fenômenos como economia ou a guerra ou a religião. Assim, por que eu deveria me preocupar com os costumes de vestimenta na História ou mesmo por que gastar tempo me importando em como me vestir. Mas o mundo da muitas volta, não é mesmo?

O fino do vestuário no século XVIII

Com o tempo enxerguei a obviedade de que a moda é uma forma de comunicação— quem me abriu os olhos foram meus heróis da música como Bowie — e, mais até, como uma meio de externar, na melhor das hipóteses, beleza. E isso acabou virando minha profissão, vestir pessoas: realizar suas ideias e ver a satisfação nos olhos do cliente. Eis que nesse ano chegou às minhas mãos o livro “História Social da Moda” da Daniela Calanca. Ainda não estava de todo livre de desconfianças. Seria possível que a obra fosse historiografia gabaritada e em poucas páginas Calanca convence ao calcar sua analise no saber de historiadores clássicos. O estudo de Calanca me surpreendeu completamente: a autora nos guia por uma caminhada de quase oito séculos revelando como a Moda é um proceder humano de costumes compartilhados que duram certo período e, eventualmente, podem retornar em intensões variadas. A moda perpassa a culinária, comportamentos de relacionamento, arquitetura, música. O vestuário assumiu o termo com mais enfase, tomou-o para si e usou como ativo.

A feitura do vestuário pré-revolução industrial

Nada é mais revigorante do que um autor te levar à questionamentos ainda inéditos em seu horizonte. Um desses foi quando Calanca chamou a atenção em como o ato de vestir transforma o corpo e se torna uma linguagem que adquire e acrescenta novos acentos com o passar do tempo. Outra questão levantada é como a história da moda se liga a história do consumo e como essa simbiose só se deu com o acumulo e criação de prosperidade proporcionada pelos meios de produção da era moderna.

A sobriedade do século XIX

Na forma ainda tenho algumas restrições ao livro, principalmente nos capítulos finais: de certa maneira ela desvia do objeto principal de análise dando muito espaço a temas periféricos e, na minha opinião, o fechamento é abrupto, como se autora ainda tivesse mais a dizer. Dito isso, esse livro merece ser mais discutido, tentarei desenvolver mais em outras oportunidades, por enquanto fica uma primeira impressão pós-leitura. Sem dúvida a leitura nos muda e nos molda, e poucas coisas são mais afetuosas que recomendar uma boa leitura a alguém. Fica aqui minha recomendação máxima.

Publicado por Tiago Navarro

Meu nome é Tiago Navarro. Trabalho com vestuário masculino há quatro anos fazendo roupas sob medidas para profissionais, noivos e projetos especiais sempre buscando dar forma as ideias dos meus clientes. Comecei a desenvolver meu trabalho como consultor após perceber a demanda dos meus clientes homens que se sentiam desorientados na hora de combinar suas roupas para determinadas ocasiões. Alio meu trabalho de consultor com minhas outras formações: olho a moda com olhar de historiador, busco as origens e as funções que o vestir adquiriu com o tempo.

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